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domingo, 13 de julho de 2014

Virá o som do vento e a pena branca



Uma pena branca a voar pelo vento, bailando com as folhas, deixando o seu toque nos lugares mais obscuros das almas inocentes. O som do violoncelo numa manhã cinzenta, quando os suspiros reinam as ruas e a lua tenta desaparecer num horizonte escondido. A melodia rustica de um dia, os sonhos a voltarem neste ciclo parcialmente incompleto, e o dedilhar nas cordas deixando o sobressalto no eco. O "adeus" perdido num múrmurio. A pena suave e sedosa num constante voo pelo mundo.
A água do rio a chamar pela mulher de vermelho. A cantar ao embater nas pedras da cascata. Vezes e vezes sem conta. Corrente e vento numa dança circular.  E ela vem. Vem a pé pelo caminho de terra humida e raízes. O seu nome a vibrar por uma força invísivel, para sempre incompreensível pelos que os escutam sem serem merecedores. E ai vai ela. Levemente ela caminha. Passo e passo, para o rio de água fria.
Virá ela para o campo florido ou ficará na cascada arrebatadora? A pena voa em seu redor. A sua palidez em contraste com a violência viva do vestido. A floresta e os seus terrenos, nunca secos, dizem para correr, dizem para saltar e subir ás árvores. Virá ou não virá? Dançará ao som do violoncelo ou dedilhará nas cordas, criando a melodia do vento?
Os sonhos da sua noite, os pesadelos e os monstros escondidos nas sombras, dançam pelo ar sobre a corrente do rio, acelerando as águas. Se a mulher de vermelho chegasse, descalça e assobiando o ritmo e batucando na madeira das árvores de todos os momentos que o seu nome ecoasse pelo vento, talvez fosse o suficiente para cantar sobre a loucura num tom melancólico.
O "adeus" será dedilhado nas cordas do violoncelo e morrerá nas águas do rio. Virá ou não virá? Quando para a pena branca? Quando deixa o vestido vermelho de esvoaçar no vento quente de um verão inconstante? A melodia rustica para a loucura de ondular nas vibrações da água. Virá ou não virá? O tempo para, o silêncio inunda um mundo cinzento, a melodia abranda até á extinção. Sim... Talvez... A pena branca poisa. Os passos são o único eco na floresta depois das ruas, debaixo do olhar inexistente da lua. Passos firmes. Virá...

terça-feira, 29 de abril de 2014

Meu blog é neutro em CO2

Aqui à uns dias vi o post da Joana no seu blog "Caderno de Pensamentos" (que é espetacular, e não digo isto por adorar a Joana), sobre uma campanha.

Eu sou amante da Natureza. Para que já leu alguns dos meus textos saberá isso. Foi por esse mesmo motivo que eu, apesar de por norma publicar no blog unica e exclusivamente textos da minha autoria, fui incapaz de recusar ajudar.

Nesta campanha, por cada blog que aderir ao projeto, uma árvore será plantada, com o objetivo de tentar neutralizar a emissão de CO2. Fantástico, não acham?

E ora aqui estou eu, escritora (de alma) e amante da Mãe Natureza, a ajudar. Se todos o fizermos não custa nada. Alias, se queremos algo feito tempos de colocar as mãos ao trabalho e não apenas pensar em ajudar e acabar por nunca o fazer. Pouco a pouco, todas as pessoas do mundo têm de unir as mãos e avançar de cabeça erguida e sem medo de salvar o mesmo mundo que é o nosso lar e possivelmente o único que temos.

Dito isto, toca a ajudar!

Se querem saber mais sobre esta maravilhosa campanha, podem ir aqui e participar. A Natureza agradece. Nós agradecemos. E todas pessoas no futuro agradecem.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Passo a passo no caminho de areia


Para a Rute. A minha 'twin', a minha irmã de outra família, a minha melhor amiga.

Um trovão rompe o céu com uma explosão de luz. Eu era nova e a história não tinha sido ainda contada. Mais um trovão e mais uma estrofe cantada pelos anjos. O mar nem sempre fora monótono e o jardim desprovido de essência. Eu bem me lembrava do tempo em corria por entre os canteiros e pisava a relva húmida. Do tempo em que deixava pegadas na areia molhada porque me fazia sentir livre. Sem destino, com sonhos e com expectativas de um futuro que poderia nunca acontecer. Mais um trovão… Mais uma memória despedaçada no abismo.
Nada me salvaria da tentação. Da doce tentação de ver as memórias de um passado longínquo. A tempestade aproxima-se e eu mantenho-me sentada nua aos olhos dos anjos, ouvindo as suas melódicas vozes cristalinas. As harpas tocam à medida que mais um trovão explode no ar. O mar bravo embate em tudo o que encontra no caminho e as flores do jardim há muito que morreram. E eu vou. Continuo a caminhar com toda a energia que tenho para dispensar. O sabor a salgado afoga-me a garganta, enquanto o novo trovão cega-me por segundos. Novamente passos na areia insipida…
Larguei os sapatos no rochedo e caminhei. Marquei pela milésima vez o chão arenoso. O mar começava agora a acalma, ainda assim eu sabia perfeitamente que ele era imprevisível e que mais cedo ou mais tarde voltaria a rebelar-se contra a costa. Vi uma luz no horizonte da praia. Ora aparecia, ora fugia para o outro lado do mundo. A estrela artificial daqueles que procuram rumo. Era capa de jurar que sentia as almas das flores comigo. Seria eu a sua estrela guia? Ou seria eu apenas uma fonte que lhes cede energia para que ela se mantenham fixas no mundo onde vivo? Dois passos firmes… Pés enterrados na areia fria…
O cheiro da maresia embriaga-me e o som da tempestade juntamente com o rebentar das ondas nas rochas refortalece-me. O “aqui” e o “agora” não só nada mais do que lugares e momentos que rapidamente são levados pela corrente. Por cada três passos para o futuro, dois deles são lavados pela água desapaixonada, carenciada de vida. E a tempestade continuava, iluminando a minha cara mórbida. Senti a energia das almas perdidas e os meus passos tornaram-se cada vez mais fortes, deixando pegadas mais profundas e salientes.
Deus me acuda! Nada me parecia libertar da tentação que as memórias me provocavam e da sensação delirante proporcionada pelos sentidos. Decidi continuar. Talvez fosse para o melhor. Perder-me na praia e ser levada pelo vento da tempestade. Ficar curada… Talvez… No infinito recente...

domingo, 19 de maio de 2013

O som da natureza e a dança da sombra

     Uma sombra cinzenta veio ter comigo. Era de noite. Uma noite pálida. Sem lua, sem estrelas que pudessem brilhar totalmente irrompendo as nuvens. Ela dança em meu redor. A música frenética do mar num embate irregular com as rochas acordava aos pássaros noturnos. Frente, trás! Boom! Frente, lado, trás! Bang! Boom! Trás, direita, trás, frente! E continuava a dançar em meu redor. Uma coruja voou perto de nós. Voou em pique. A sombra rodopiou. Saltou para frente… Perdi-me nos seus movimentos.
     O som do vento tornou-se o som dos violinos. A orquestra começou. Despertei e segui a sombra. Segui o rasto de pegadas vermelhas invisíveis. Soltei um uivo. Parei. Rodopiei como a sombra. Frente, trás! O mar colidia contra as pedras frias. Para frente e para trás. A sombra vibrou ao meu lado. Vi o lobo cinzento aproximar-se. Dei um passo. Frente, trás… Olhos nos olhos… Um rodopio da sombra… Um passo do lobo… Tic tac… Tic tac… Jurava que conseguia ouvir o relógio da sala. Mais um passo… Um rodopio… Um voo…
     Fechei os olhos, inspirei. Frente, trás… O vento fez o meu cabelo voar e perfumou-o com o cheiro do mar. Direita, esquerda, trás… Um rodopio… Um salto… Uma queda… Um uivo… À minha frente o lobo tinha desaparecido. A sombra mantinha-se em pontas de pés, pronta para mais um salto. Sustive a respiração. Saltei. Dissipei-me no ar. Sorri… Tic tac… Tic tac… Lá estava o relógio. Cai… A sombra acenou. Dizia adeus. Frente, trás… Cai na água. Dissolvi-me. Um último suspiro.
     Tic tac… Tic tac… Adeus… Bem-vinda… O mundo sem fim… Um último sonho… Um último suspiro. O som do violino. A dança angelical. Uma queda e um voo. O mar frenético e o vento a embalar. Boom! Baam! Sentia o meu cabelo a tocar-me na face. O perfume do mar a delirar. Um passo… Dois passos… Três passos… O silêncio profundo na escuridão. O vibrar silencioso do chão invisível. Frente, trás. Direita, esquerda… E por fim, nada! O final…

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A história da sereia e do jovem capitão


Quando o sol decide brilhar após uma longa noite, quando as montanhas deixam de ser um obstáculo para os raios brilhantes, num rochedo ao pé do mar, uma sereia de olhos cintilantes, penteava os seus longos cabelos castanhos vivos. E pouco a pouco, quando os primeiros raios de sol, fortes e quentes, iluminavam a magnifica sereia em cima do rochedo (bombardeado pelas ondas do mar), como se fosse o lago que reflete a luz, também ela reflete o brilho do sol. Os pássaros que acordavam cantavam, o leve vento de verão baila com as folhas e o mar arrasta a arreia para esta brincar com os peixes lá no fundo.
Um dia como os outros, nada mais, nada menos. Penteando os seus longos cabelos ela continuava… Sentada no rochedo, parte da sua cauda azul-esverdeada na água. Para a frente e para trás… O mar ia lançando a água, formando ondas (umas violentas, outras suaves). Para trás e para a frente… O tempo ia passando e a sereia brincava agora com os peixes que iam passando perto do rochedo.
Inesperadamente um barco aproxima-se do rochedo. Não é atraído pela canção da sereia, ela não é uma dessas sereias. Foi o capitão. Ele é que foi chamado ao rochedo. Se foi a luz, se foi a beleza ou se foi uma força mais forte, que transcende este mundo, que lhe disse para ele seguir aquele caminho... De qualquer das formas ele mandou os marinheiros seguirem em direção ao rochedo. Mas antes de chorarem na rocha quente ele mandou parar. Sentada na rocha, a sereia olhava com um ar surpreso e assustado. Sem saber o que fazer tentou fugir mas antes que ela pudesse mergulhar e desaparecer no vasto oceano, o jovem capitão gritou bem alto “Não estou aqui para fazer mal”. Não serviu de muito. Ela desapareceu e não voltou.
Durante anos o capitão passou por aquele rochedo. Esperou, navegou… Navegou, esperou… Mas ela não aparecia. Até que um dia, num porto apinhado de pessoas, uma voz disse ao jovem capitão para seguir por entre a multidão até a um barco branco, chamado Tarí Anárion. Ele correu, perdeu o folgo mas não deixou de correr. Chegando ao barco, a passar a ponte entre a terra firme e o barco, estava uma rapariga, longos cabelos castanhos vivos e olhos brilhantes. A sereia com uma forma humana, sem cauda azul-esverdeada.
O capitão nunca mais largou a sereia, a sereia ainda continua a ir ao rochedo. O resto é história e essa história ainda está a ser escrita.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A fada madrinha, o jardim e a magia verdadeira.

   Numa casa à beira mar uma jovem vive cada dia com o máximo de felicidade possível. Às vezes ia sentar-se para um banco no meio do jardim. As flores rodeavam-na, os aromas enchiam o ar e as cores vibravam, refletindo os raios solares. Muitas pessoas passavam pela cada branca e não percebiam que para lá das grandes árvores e da pedra fria, um mundo quente e acolhedor existia.
   A jovem cuidava das flores e as flores davam-lhe magia. Se a magia é a força que nos faz viver, então é provável que fosse essa a magia que elas lhe davam. Se a magia é a energia que nos faz criar algo que é incrivelmente belo e extraodinário, então talvez fosse essa a magia.
   Semente a semente elas iam multiplicando e a magia com elas ia crescendo e cobrindo aquela terra. Primeiro o jardim, depois toda a casa e agora o mundo. Isso aconteceu porque a magia é contagiosa. A doce mas forte jovem mostrou e ofereceu aos outros aquela magia e esses passaram-na a outros.
   No final, foi ela a nossa fada madrinha. Mostrou-nos o que era a verdadeira magia e deu-nos um pouco das suas sementes para que também nós, um dia, podessemos dar a outros essa luz. Ela pode não ter nenhuma varinha magica mas tinha um jardim colorido, cheio de flores, uma casa branca de pedra fria que depressa ficou quente, tal como o coração de muitas pessoas que entraram em contacto com aquela linda magia.
   O jardim continua lá, a jovem continua a partilhar e o mundo ficou, para sempre, modificado. E para nós ficou uma lição: partilhar sempre a magia que ela nos deu. Caso algum dia a nossa magia comece a desaparecer porque algo na nossa vida perdeu a cor, ela estará lá para nos ajudar. Logo se aquele jardim morresse nós deviamos ajudar. É assim que a magia vive. Ajudar os outros e sorrir.

domingo, 22 de abril de 2012

O nosso verdadeiro nome


No meio da floresta, numa clareira serena e quente, uma flor com suaves tons azuis esverdeados nasce e uma calma melodia enche o ar encantando todos os seres daquela infinita floresta. Os pássaros deixaram de cantar para se dirigirem em direção à clareira para ouvirem melhor a doce melodia. Os lobos deixaram de uivar para a prateada luz vinda da lua e seguiram rumo à flor para verem a brilhante luz vinda da planta. Uma jovem que por ali passava sentiu a magia que voava pelo ar numa dança com o vento quente de verão. Passo a passo ela dirigiu-se à fonte de toda aquela maravilhosa e luminosa magia. Seguindo os animais por entre as árvores, bailando como as Ninfas que tinha habitado aquela floresta.

Ao chegar à clareira a flor já tinha desabrochado. No seu interior, um pequeno ser dormia alheio a toda a atenção que estava a receber. Parecia um daqueles seres que habitam as histórias que as mães contam os filhos antes de estes adormecerem. Tão angelical, se não fosse pelas suas asas de borboleta poderia fazer-se passar por anjo, talvez um anjo da guarda. A jovem com os seus olhos doces poisados na flor e no seu hóspede revia todos os contos encantados que a sua mãe costumava contar-lhe. Ela começava a pensar que talvez este momento não passasse de mais um dos seus inúmeros sonhos e que a qualquer momento acordaria.

Como que acordado pelas memórias da jovem a criança-borboleta abriu os olhos. A melodia parou de tocar, a magia deixou de bailar e apenas pairou por cima da flor, os animais baixaram a cabeça mostram o seu respeito e a rapariga sem saber como deu por si a caminhar em direção ao centro da clareira. Ajoelhou-se e os seus olhos fixaram a criança que estava sentada na flor.

- Qual é o meu nome? - A voz da pequena criança de asas azuis era como um carrilhão de sinos. - Tu sabes qual é o meu nome, podes dizer-me?

A rapariga não sabia o que dizer, não fazia ideia qual era o nome daquela criatura, nem sabia o que ela era.

- Se procurares no teu interior vais descobrir. Fecha os olhos e pensa.

Com se possuíssem vontade própria os seus olhos fecharam-se e ela foi sugada para o seu próprio interior. Naquele mundo ela voava pelo céu azul e ao longo do infinito rio, mas quando ela pensava que tinha visto tudo sentiu-se tentada a olhar para o seu reflexo na água. Finalmente compreendeu porque conseguia voar. Ela era uma fada! Não, a criança-borboleta era afinal uma fada. A sua íntima, parte de si, o seu anjo da guarda, a sua consciência… A sua eterna companheira! Nesse momento ela conseguia ver a verdade com os seus olhos e o nome da sua amiga era tão claro como água.

- Ruby. É esse o teu nome. A verdade mostrou-se e eu agora se o que és, o que sou e a partir de agora não voltarei a caminhar para um futuro que não é meu. Sou eu que caminho e sou eu que me sacrifico por todas as escolhas que faço de livre consciência. E não te vou deixar desaparecer. Tu nunca desististe de mim. Como tal, eu não planeio desistir de ti.

Tão rápido como tinha entrado ela saiu do centro do seu interior. Com lágrimas nos olhos, ela viu a fada a toca-lhe ao de leve na cara e com as suas pequenas mãos limpou as lágrimas salgadas que rolavam pela face da jovem. Cores espalharam-se por todo o lado. Os animais começaram a cantar, cada um à sua maneira, ao som da melodia que tinha novamente começado. A jovem e a sua companheira continuavam ali, paradas no meio da clareira, alheias a tudo, olhando nos olhos uma da outra, decifrando as suas almas, tudo o que eram, foram e serão. A magia começava a solidificar-se e a cair como se fosse neve colorida, avisando que iria cobrir toda a floresta com os seus flocos arco-íris. Infelizmente a jovem não chegou a ver tal maravilha, quando fechou os olhos para apenas sentir toda aquela felicidade e paz que a abraçava foi puxada para outro universo.

Quando voltou a abrir os olhos estava deitada na sua cama. Tinha voltado a casa e tudo aquilo não passava de um sonho. Desilusão! Eterna tristeza e solidão… Que sorte a dela! Tinha mais uma vez perdido tudo. Os carros passavam frenéticos na estrada de alcatrão, as pessoas tagarelavam sobre tudo e ainda era de manhã. Na mente daquela jovem apenas habitava uma coisa: Liberdade. A sensação que ela tinha experimentado quando voou. Sentiu-se livre, mágica, como nunca tinha sentido. Mas aquilo não tinha passado de um sonho. Ou terá sido uma visão? Talvez ela tivesse não a sonhar mas a vaguear pelo seu interior, alias, pelas várias camadas que constitui o nosso ser.

- Oh querida Ruby, serás tu realmente parte de mim? Serei eu capaz de voar? Serei eu capaz de controlar aquela magia que me impressiona, aquela magia que faz com que toda a terra fique coberta de um manto de flocos coloridos?

Tantas perguntas que ela tinha para expor porém talvez as coisas tivessem de ser assim, talvez ela estivesse destinada a descobrir por ela própria. Talvez esta desilusão traga algo de bom. Agora ela sabia. Teria de ter coragem porque com a ajuda do seu anjo da guarda, quer dizer a sua fada da guarda, tudo iria correr bem. Ela tinha uma voz, ela era poderosa e não podia desistir. A Ruby nunca desistiu de tentar mostrar-lhe a verdade por isso ela não iria fazer com que todos os esforços da fadinha de asas azuis fossem desperdiçados.

O dia passava, tão rápido como a chuva. Já estava a anoitecer e a jovem continuava a pensar no significado do sonho. À medida que o sol desaparecia as primeiras estrelas começava a aparecer no céu azul negro. Ela podia não ser uma estrela brilhante mas ela podia seguir as estrelas que iluminavam o céu e encontrar o caminho. E talvez um dia, daqui a muitos anos, ela se transformasse numa estrela e possa guiar muitas outras crianças, jovens e adultos que se sentirem perdido.

Possivelmente, um dia deste, ela voltará a encontrar a Ruby e agradecer-lhe. Mas por agora apenas resta-lhe respirar fundo e viver os dias tal como a sua companheira lhe mostrou. Viver verdadeiramente, porque viver numa ilusão só traz dor a longo prazo e cicatrizes que para sempre marcaram a nossa essência. Além disso devemos pensar positivamente: Aquilo que não nos mata acaba por nos tornar fortes e apenas vivemos uma vez neste mundo, temos de aproveitar. Escolher uma carreira que nos vai proporcionar satisfação. Amar, e muito. Apoiar a família pois eles estarão para sempre ao pé de nós. Escolher os amigos e mante-los por perto, eles irão ajudar-nos sempre, nos bons e nos maus momento, quer nos queiramos quer não. Planear o futuro mas não esquecer que temos de aprender com os erros do passado para poder viver um bom presente.

Viva a Liberdade! Viva a Coragem! Viva a fada Ruby, a jovem que aprendeu a verdade e o mundo que a tornou no que era! Viva a todos os jovens, que tal como ela, vivem e tentam nunca cair no profundo lago! Viva aos contos de fadas! Viva a eterna Realidade para sempre presente nas nossas vidas, quer tenhamos os pés no chão, quer estejamos a voar pelas nuvens brancas e fofinhas.

“Todos sabem o seu verdadeiro nome e aquilo que são se pensarem bem e se seguirem a corrente que os leva ao seu interior. Apenas tem de acreditar neles próprios.” – Ruby

sábado, 24 de março de 2012

A companheira da pequena flor

Ao longe, na margem de um rio, corre uma enorme e bela pantera. Os seus olhos brilham como duas estrelas douradas num mundo alaranjado e envelhecido. Atrás de si apenas estava o sol sonolento, cansado de um longo dia a brilhar. A relva ondulava ao mesmo tempo que a cristalina água do rio. As folhas das árvores bailavam com o vento, rodeando em redor da veloz pantera. O seu pelo era negro como a noite e inúmeras gotículas de água cobriam o manto negro.
O vento trazia um aroma doce e floral, um campo de flores devia estar perto. A pantera começou a abrandar, até que finalmente as suas majestosas patas pararam antes da primeira e colorida flor do vasto campo florido à beira do largo rio. No meio de todas as flores estava uma rapariga, uma criança. A pantera olhou para ela e sentou-se enquanto a criança, alheia à presença daquela fera, colhia flores e com a sua voz de rouxinol cantava um linda canção que a sua mãe lhe havia ensinado. Uma atrás das outras, laranjas, vermelhas, amarelas, brancas… Ela colhia as flores com delicadeza e atrás dela, do outro lado daquele mar de flores, a pantera esperava atentamente.
O antigo vento começava a abrandar e o sol continuava lentamente a deitar-se no horizonte. É neste momento que a rapariga, calmamente, levanta-se e com a mão livre sacode as folhas verdes que se prendiam com força no seu lindo vestido creme. Ao virar para trás a pantera também se levantou e os seus olhos cruzaram com os da pequena boneca com as flores nos braços. O tempo parou ao mesmo tempo que a pequenita tinha deixado de cantar. Os olhos dourados fixavam os olhos meigos, o vento voltou a levantar as folhas e a empurrar a criança na direção da pantera.
Com as flores nos braços e um sorriso a formar nos seus pequenos lábios ela avançou. A pantera não se mexeu, continuando a olhar fixamente para a sua pequena parceira. Elas nunca se tinham visto antes, tinha sido sorte se assim quisermos acreditar ou talvez os Deuses, antigos e novos, tivessem querido juntar aquela pequena à sua íntima. Talvez fosse a única forma de a proteger. O vento só parou quando a rapariguinha abraçou à pantera. Mas antes das folhas bailarem para o chão uma voz ouviu-se, vinda da floresta. Acompanhada pela pantera aquela florzinha cantou durante todo o caminho até onde a sua mãe ansiosamente a esperava.

Os anos passaram, as flores murcharam, novas flores nasceram, o rio continuava a correr acompanhado ocasionalmente pelo vento e as suas folhas, as árvores cresceram e a vida continuou. Na lago de flores todos os dias se via uma jovem a cantar uma linda canção e ao seu lado, deitada com a sua cabeça gentilmente repousando no colo da sua companheira, estava a linda pantera negra com os seus olhos dourados e o seu coração em sintonia com o da pequena de olhos meigos. De vez em quando o vento faz voar folhas, traz um aroma salgado do mar para além da grande floresta e presenteia-os aqueles dois seres que ele juntou para sempre com um laço inquebrável e maravilhoso.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Melodia da Natureza

Quando o céu fica com tons avermelhados dos ternos raios de sol eu sei que a hora chegou. Chegou o momento de cantar para todo mundo. Cantar alto as memórias tristes e felizes. Cantar como se não houvesse amanhã, como se a noite que estivesse a começar não tivesse fim.
 
Pouco a pouco o sol deita-se no horizonte. E no lado oposto a lua nasce mais viva, brilhante e cheia que nunca. E com ela vem um arco-íris nunca visto. O arco-íris lunar. Mais cintilante do que o seu irmão do dia, mais raro que o outro. Um arco-íris de sorte e felicidade.
 
Quando ao seu sinal a orquestra da Natureza começou a tocar os meus olhos fecharam-se e eu concentrei-me na melodia pura e prateada que emergia no ar. Um cheiro a mel e rosas sentia-se pelo ar. Deixei-me levar pela magia da noite e comecei a tão esperada melodia. A minha voz ecoou pelos quatro cantos da terra.
 
O som do violino pintava levemente o céu negro com as suas notas musicais. O violoncelo fez as estrelas brilharem no céu sem cor. O piano dava vida á lua e a minha voz ajudava todos os instrumentos a ganharem força para todas as suas tarefas. Suavemente como um toque de uma pena, aquele mundo encheu-se de cor e magia. Uma explosão de felicidade e alegria tinha ocorrido.
 
Pouco tempo passou até mais pessoas aparecerem e celebrarem. Por toda aquela pequena zona podia-se encontrar pessoas com instrumentos mágicos a tocar para as estrelas, pessoas a dançar, pessoas a cantar. Todas elas se estavam a divertir e a libertar o calor ardente da felicidade. Nada havia a fazer nem a desejar senão a felicidade. E ali se mantiveram até ao arco-íris decidir acabar a festa e desejar a todos um bom-dia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Num lugar à muito esquecido

"Num lugar à muito esquecido,
Onde a coruja voa sobre o mar,
Um guerreiro está perdido
Na floresta de encantar.


A doce e indesejável morte
Puxa-o lentamente para o fundo
Desafiando a orgulhosa sorte
E todo o grande mundo.

Naquele mundo do escuro
Uma forte luz azul puro
Teimou em aparecer
Fazendo o guerreiro renascer.


Então quando o brilhante dia
Mostrou a sua intensa cor
E à Pequena e ao Lobo sorria,
O mundo encheu-se de amor."

sábado, 10 de setembro de 2011

Girassol Encantado

Era noite estrelada
A lua estava cheia
E na terra enlameada
Uma jovem rapariga passeia.

Uma rapariga de olhos brilhantes,
Alma poderosa e florida,
Mulher de hoje, jovem de antes
E flor do mar da vida.

Ela passeia de forma calma
Pensando no dia de sol…
Mas algo lhe chama a alma,
Um belo e adorável girassol.

Ela aproxima-se para ver,
Os seus olhos cintilam de emoção.
Ela nunca vira tal coisa para se ter,
Um belo girassol plantado no coração.

Mas que podia ela fazer?
Colhe-lo e mata-lo? Não!
É claro que não o ia colher.
Não ia perder algo tão são.

Por isso deixou estar
E todos os dias ia lá ter
Para cantar uma canção de encantar
Proibindo as pessoas de o colher.

Hoje se formos aquele lugar
E se tivermos sorte podemos ver
Um girassol de sonhar
Que nunca podemos obter.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Borboleta da Noite

Quando à noite um luar intenso e sedutor ilumina toda a rua, uma jovem borboleta de asas negras como a noite sai de sua casa em direção a uma fonte no fundo da rua. Um passo atrás de outrro passo as pessoas da aldeia regressavam às suas casas e a borboleta com o seu bater de asas constante voava silenciosamente até à fonte.

A fonte tinha um anjo com a sua elegância imortal no centro, e na água uns brilhantes peixes de escamas avermelhadas nadavam suavemente pelo fluido cristalino da fonte. Na mão direita do anjo um jarro que vertia água era segurado e na esquerda uma pomba branca pronta a levantar voo em direção ao céu estrelado.

A borboleta negra flutuou até ao ombro direito daquele anjo e nele repousou por um momento até que as borboletas do fogo vieram batendo as suas asas vermelhas, seguidas das borboletas azuis do ar, das frescas verdes da floresta, das calorosas castanhas da terra e por último das flexíveis e graciosas borboletas da água com as suas asas de tom azul esverdeado. Elas bailavam ao som da melodia dos grilos, mochos e corujas, enquanto eram iluminadas pelas estrelas e pelos pirilampos. Várias borboletas chamaram aquela negra borboleta mas ela continuou quieta como se fizesse parte da estátua do anjo.

Elas dançaram até a noite estar mesmo a acabar e quando o sol começou a querer iluminar toda a aldeia, as borboletas partiram, deixando para trás a borboleta negra. Pouco a pouco o tímido sol mostrou as suas cores assim como a borboleta. As suas asas deixaram de ser negras e passaram a ser de todas as cores do arco-íris. Mais uma vez, com o seu bater de asas constante ela regressou a casa.

Atravessou as ruas ainda desertas e entrou pela janela. No quarto escuro uma rapariga encontravasse a dormir. A borboleta poisou no seu peito mesmo por cima do coração e deixou-se ser sugada até fazer parte da jovem, com isto os olhos da rapariga-borboleta abriram e ao mesmo tempo o sol cobriu de luz toda a aldeia. A noite acabara e o dia começara.

sábado, 14 de maio de 2011

Meu fogo...

É apenas uma coisinha que fiz á uns tempos. Algo que me veio a cabeça e que tive de escrever.

"Oh mar violento, bravo e selvagem.
Oh céu azul, cristalino e suave.
Oh terra verde e mansa.
Of fogo vermelho, quente e vivo. Fogo que me consome pouco a pouco, fazendo com que me tranforme em cinzas para que depois renasça viva e nova.
Fogo que me debilita lentamente... Fogo que me aquece nas noites frias, solitárias e escuras. O mais belo de todos os elementos. Aquele que todos temem... Aquele que todos tentam usar...
Oh meu lar, doce, querido e desejado lar... Partiste e não me levaste. Que triste sina minha... O meu puro elemento foi-se para nunca mais voltar."

segunda-feira, 8 de março de 2010

Eu e a Natureza

Escrevi este poema para recitar no Recital que houve na minha escola.



"Plantei uma azálea rosada

E o meu nome nasceu no ar

Pintado com uma cor avermelhada

Como uma confissão de encantar.



Mas isso não dura para a eternidade

E o Negro triste e solitário

Fecha a sensação no velho armário,

Mostrando assim a sua pura verdade.


Quando finalmente desperto

Do sonho eterno e impenetrável

As memórias voltam de forma agradável

E o Negro dá lugar a algo mais aberto.


Assim eu vivo honrando a união.

A união que tenho com a Natureza.

Então calma e serena canto a canção

Interiorizando sempre a sua pureza."

Jéssica Reis