Este é o local onde as palavras encantam.
Os escritores também tem sentimentos. Se sentiste, diz. Assim estaremos todos no mesmo nível de partilha.

sábado, 17 de setembro de 2011

O livro mágico

“Era uma vez” dizia o livro encantado
Escondido que tirei da estante…
Um livro velho, com um tom encarnado,
Um livro especial e brilhante.

“Uma rapariga que dançava
Graciosamente na lagoa cristalina”
E a história mágica continuava
Contando a vida da bailarina.

Ela bailava e rodopiava
Ao som da melodia da Natureza.
Passo atrás de passo, ela bailava
Sempre com muita certeza.

E as suaves palavras dançavam
De forma cativante e deliciosa
Pelas páginas que abraçavam
A minha mente amorosa.

A música invisível cobriu
O meu quarto com tons dourado…
A minha janela oeste abriu
E a melodia deixou o céu estrelado.

Ao trazer a magia ao mundo
Percebi que chegara ao final
E que não havia um segundo
Pois eu era a continuação inicial.

sábado, 10 de setembro de 2011

Girassol Encantado

Era noite estrelada
A lua estava cheia
E na terra enlameada
Uma jovem rapariga passeia.

Uma rapariga de olhos brilhantes,
Alma poderosa e florida,
Mulher de hoje, jovem de antes
E flor do mar da vida.

Ela passeia de forma calma
Pensando no dia de sol…
Mas algo lhe chama a alma,
Um belo e adorável girassol.

Ela aproxima-se para ver,
Os seus olhos cintilam de emoção.
Ela nunca vira tal coisa para se ter,
Um belo girassol plantado no coração.

Mas que podia ela fazer?
Colhe-lo e mata-lo? Não!
É claro que não o ia colher.
Não ia perder algo tão são.

Por isso deixou estar
E todos os dias ia lá ter
Para cantar uma canção de encantar
Proibindo as pessoas de o colher.

Hoje se formos aquele lugar
E se tivermos sorte podemos ver
Um girassol de sonhar
Que nunca podemos obter.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Borboleta da Noite

Quando à noite um luar intenso e sedutor ilumina toda a rua, uma jovem borboleta de asas negras como a noite sai de sua casa em direção a uma fonte no fundo da rua. Um passo atrás de outrro passo as pessoas da aldeia regressavam às suas casas e a borboleta com o seu bater de asas constante voava silenciosamente até à fonte.

A fonte tinha um anjo com a sua elegância imortal no centro, e na água uns brilhantes peixes de escamas avermelhadas nadavam suavemente pelo fluido cristalino da fonte. Na mão direita do anjo um jarro que vertia água era segurado e na esquerda uma pomba branca pronta a levantar voo em direção ao céu estrelado.

A borboleta negra flutuou até ao ombro direito daquele anjo e nele repousou por um momento até que as borboletas do fogo vieram batendo as suas asas vermelhas, seguidas das borboletas azuis do ar, das frescas verdes da floresta, das calorosas castanhas da terra e por último das flexíveis e graciosas borboletas da água com as suas asas de tom azul esverdeado. Elas bailavam ao som da melodia dos grilos, mochos e corujas, enquanto eram iluminadas pelas estrelas e pelos pirilampos. Várias borboletas chamaram aquela negra borboleta mas ela continuou quieta como se fizesse parte da estátua do anjo.

Elas dançaram até a noite estar mesmo a acabar e quando o sol começou a querer iluminar toda a aldeia, as borboletas partiram, deixando para trás a borboleta negra. Pouco a pouco o tímido sol mostrou as suas cores assim como a borboleta. As suas asas deixaram de ser negras e passaram a ser de todas as cores do arco-íris. Mais uma vez, com o seu bater de asas constante ela regressou a casa.

Atravessou as ruas ainda desertas e entrou pela janela. No quarto escuro uma rapariga encontravasse a dormir. A borboleta poisou no seu peito mesmo por cima do coração e deixou-se ser sugada até fazer parte da jovem, com isto os olhos da rapariga-borboleta abriram e ao mesmo tempo o sol cobriu de luz toda a aldeia. A noite acabara e o dia começara.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Voar, apanhar uma estrela

Ser livre como uma ave e voar
Pelos campos de coloridas flores
E no meio do luz encontrar
O Lago dos verdadeiros amores.

Subir a alta montanha
E apanhar um flor
De gelo e de tamanha
Cor e puro amor.

Sorrir ao ver um raio de sol
A brilhar na minha face
E pensar em lançar um anzol
Para apanhar aquele enlace.

Apanhar o enlace da vida
Que um dia foi dada
Para ver protegida
Uma pessoa amada.

Voar, apanhar uma estrela brilhante
Traze-la para casa, abraçar
A alegria e viver a vida fascinante
Iluminada pelo novo e belo luar.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Anjo da guarda

Numa terra onde não existem nem monstros nem demónios, onde só existem flores coloridas, pássaros com lindas vozes e pessoas normais sem nenhum poder magico nem sobrenatural, uma jovem rapariga vive. Quando era uma criança, todos pensavam que ela era uma autêntica fonte: sempre a chorar. Muito sentimental, muito mimada, muito protegida, muito criancinha para a sua terna idade.


Com o passar dos anos os olhos foram secando, isto foi desencadeado por um amor não correspondido, amores de criança. Mas não foram só os seus olhos que secaram, a cascada de sentimentos secou e quando os sentimentos voltaram só chegavam cá fora os que correspondiam ao seu maus feitio: refilar, amuar, ser algumas vezes injusta. É claro que os bons sentimentos apareciam: alegria, saudade, amor.


Apesar de todos acharem que ela é o que eles pensam que é, ela não é por sombras o que mostra ser. Os seus olhos mostram alegria, raiva ou indiferença mas no fundo eles mostram um enorme pedido de socorro. Os anos continuam a passar e apesar do mau feitio (assim pensavam eles que era) continuar a existir ele já não era tão forte, o que é certo é que a rapariga não era tão feliz como dantes fora. Ela sentia-se frágil, como se fosse uma boneca de porcelana. O seu coração saltava feito tolo sempre que ela se sentia triste, ele saltava para que ela reagisse e falasse com alguém antes que se partisse em bocados.


Um dia, um dia como os outros (sim, um dia como os outros), ela estava bem mas a caminho de casa começou a pensar em tudo e mais alguma coisa e quando chegou finalmente a casa parecia um farapo velho, sentiasse mal e rachada, e o seu coração estava a saltar-lhe mais uma vez do peito. Então ela soube que tinha de falar com alguém. Mas quem? Não podia simplesmente falar com aqueles que a ignoravam. “Alguém…Alguém que me ajude neste momento, alguém que me agarre ou eu vou-me partir e nunca mais volta a ser a mesma.” Pensou ela. Então como por magia um anjo desceu dos céus e agarrou.


Esse anjo de cabelos castanhos e olhos cor das mais belas avelãs do mundo, esse anjo de olhos profundo e fascinantes disse-lhe que aquilo passava e que ela iria ficar bem mais uma vez. Ela chorou nos braços desse anjo doce e depois quando finalmente as lágrimas secaram ele largou e voltou para onde tinha vindo.


No dia seguinte na sua escola a jovem rapariga esta mais fresca que ontem. O seu coração estava melhor que no dia anterior e agora estava pronta para procura a sua volta o que ela a muito tinha perdido: o seu belo jasmim, a sua pura flor, o seu amor, a sua delicadeza.


Ao virar da esquina um rapaz. Mas não um rapaz qualquer… Era o seu anjo. Sim, era ele… Sempre fora ele, só que ela não o sabia e agora mais do que nunca iria proteger aquilo que lhe era sagrado, pois ela sabia que agora não estava sozinha quando fosse preciso de uma ajuda para a agarrem. Ela agora tinha o seu anjo e não o iria perder, não iria perder aquela rosa rosada.