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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Cair no abismo

Sinto lágrimas acumulando-se nos meus olhos e fecho-os ao senti-las escorrerem pelo meu rosto. Olho para o teto branco do meu quarto e não sei o que mais fazer se não puxar os cobertores para cima e afundar-me no abismo da escuridão. O meu peito está pesado, as vozes são facas e as palavras as facadas que me matam um pouco mais. Nunca tentei perder-me, foi um acidente. Se as coisas fosse preto e branco tal como dizem nas discussões eu não me sentiria tão perdida e inútil. Queria levantar-me mas não consegui. Cada passo que dava, cada dia que vivia, por mais que fizesse, era inútil.
Dou o meu coração à escuridão que me quer matar. Mentiras atrás de mentiras. Grito interiormente quando o verdadeiro se prende na minha garganta. Engulo o nó que se forma. Não como e deixo o meu corpo recolher-se e gastar toda a energia. Não sinto a fome mas sinto a mente fugindo das amarras que a prendem ao corpo físico. Nunca me senti tão perdida no mundo e os anos passam. Uma última vez… Pedia por uma última vez para não olharem para mim daquela forma. Pedia para acreditarem, para me ajudarem a acreditar.

Choro… Choro pelo mundo, por mim e pelo futuro que não virá. Nunca tentei ser aquilo que não sou. Nunca tentei magoar os que me amam. Só queria um último abraço. Uma corrente que não me permitisse voar para longe da terra. Cada dia a passar, mais escuro o quarto fica, pois mais atrativa a escuridão me parece. Deito-me e não me consigo levantar. Todos os dias uma luta. Choro quando ninguém vê, nunca grito para não pensar na loucura. Minto… Minto a mim própria, pois a loucura continua a existir no meu interior, consumindo a minha alma. E caiu no abismo. 

sábado, 24 de outubro de 2015

Perdido no caminho da escuridão

Eu acredito… Acredito que exista amor em ti. Um coração que tem espaço para me deixar entrar. Acredito que apenas seja medo aquilo que te prende, que seja o passado a ditar as tuas ações. Olho para os teus olhos doces e esverdeados e vejo o quanto perdido estás neste mundo; o teu rosto vazio de expressões, quase diria que não tens coração. No entanto, eu sei… Sei que existem sentimentos por detrás dessa máscara de ódio e escuridão na alma. Sei que virá o dia no qual encontrarás o caminho e correrás para fora do alcance desses demónios, para bem longe deles. Conheço-te melhor do que pensas, melhor do que querias.
Não sou… Eu não sou tão inocente como crês. Sou muito mais do que a jovem inocente que vês quando olhas para o meu reflexo. Arrisca. Arrisca e deixa-me entrar. Paciente e calma, aqui estou eu, sentada e olhando para o horizonte esperando por veres a luz existente no teu próprio coração. Estás a seguir o rumo à miséria e à loucura, perdendo a alma com cada passo dado em direção da escuridão, deixando o passado prender-te no seu tempo. Fechaste o teu coração, negas olhar-me nos olhos, ver para além do castanho da íris, que eu não sou perfeita, nem sequer sou a ‘simples rapariguinha’ que teimas em acreditar.
Eu pensei… Pensei mesmo que poderias amar-me. Vejo no vidrar dos teus olhos verdes que nada existe. Não me deixas aproximar, foges como se eu fosse a culpada da tua dor. O meu coração aperta e vejo o meu próprio reflexo no teu rosto. A solidão, a loucura, a confusão, a raiva e a vontade de fugir. Pensei que passo a passo pudesses acreditar em mim e deixar que eu tocasse o teu peito e enchesse o teu coração com o meu amor. Eu sei que as sombras do teu passado continuam a cobrir-te e que não sou forte o suficiente para as afastar da tua alma, todavia, tentaria se me deixasses dar um passo.
Eu acredito… Pensei que acreditava possuir a chave para o teu coração. Talvez fosse uma ilusão. Talvez tudo fosse mentira. Talvez os teus olhos realmente me ordenassem que parasse, me avisassem que não iria conseguir alcançar o meu objetivo. Diz o que quiseres, mas eu sei que no fundo queres ficar. Peço-te para ficares, para aceitares o que sou. Conheço-te tal como me conheço. Somos duas peças do mesmo, tão semelhantes que diria ser coincidência. A loucura, os demónios tingem as nossas almas. Só o verde não vê o que existe. Voltarei costas a todo o nosso presente e futuro se assim o desejares. Caminharei se me pedires.

Pensei… Pensei mesmo que desta vez seria diferente. De coração partido seguirei rumo à minha própria miséria. Adeus… Segue-me se desejares. Liberta-te e liberta-me. Olha para mim e não veja a inocência que parece cobrir-me, vinda das palavras de outros. Vê a loucura e a escuridão no meu interior tal como eu vejo no teu. Abre o coração para mim e serei tua. Nunca serei perfeita. Nunca pertencerei aos demónios do teu passado. Desprende-te deles… Tento manter a fé. Tento acreditar. Pensei… Por momentos pensei que fosse real. Talvez… Por favor… Doce amor, fica.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Carta para o meu herói



Querido Herói,
Houve um tempo, num passado não muito distante, em que vivia uma vida tranquila, rodeada que pessoas que me amavam tanto como eu as amava. Era um mundo melhor. Ou talvez só assim o fosse por eu ser pequena, uma criança com grandes sonhos. Um dia passou atrás do outro. Deixei de ver, de sentir, de acreditar nos sonhos que em tempos possui. De todas as vezes em fechava os olhos e tentava imaginar o passado, as memórias desapareciam, escapando pelas mãos que cresciam juntamente com todo o meu corpo. Para trás ficara a rapariguinha que se divertia nos braços do seu herói. No entanto, tu nunca o viste.
Partiste para uma batalha que só tu sabias o quanto dura seria. Era pequena na altura, uma criança que não compreendia a vida. Não da maneira que tu vias… Fiquei para trás, chorando tanto que as minhas lágrimas secaram e retiveram-se no meu coração. Vi a minha mãe pegar em todos os problemas e carrega-los às costas como se fosse uma supermulher, nunca se queixando e nunca quebrando. Na altura não compreendia, era demasiado inocente. Eu só queria o meu herói de volta. Agora, olho para ela e pergunto-me “Como é que eu nunca vi antes?”. Toda a mágoa, todo o sofrimento, todo o cansaço.
Foste embora, e apesar de eu saber que era a única solução que tinhas para nos ajudar, contudo, os anos que passaram foram os suficientes para eu perder a minha fé em ti. Quando precisava, quando me sentia a cair no abismo e presa num frio buraco, ninguém estava lá para me ajudar. A minha mãe não podia carregar todo o peso nos seus ombros, e não seria eu a dizer o quanto perto da escuridão estava. Precisa do meu herói, aquele que brinca comigo e me fazia rir. As memórias foram desaparecendo quanto mais escura se encontrava a minha mente, quanto mais eu me perdia naquele novo “eu”.
Quando vieste, não eras o mesmo; todavia, também eu não era a mesma menina que viste crescer. Revolta, rebeldia, refilar e ignorar. Ralhaste comigo. Querias que eu fosse a criança perfeita. Mas eu nunca fui perfeita, sempre estive quebrada. Todos somos seres humanos, até mesmo tu, o herói da minha infância. Todos nós cometemos erros, caímos e temos dificuldades em nos levantar. Não sou perfeita, nunca serei, mas nunca viste isso. Tenho pena, nunca conseguirei fazer com que vejas aquilo que eu sou verdadeiramente. É a minha falha… Só gostava de ter o meu herói uma vez mais ao meu lado, sorrindo e ouvindo o que tenho para dizer. Um momento, uma nova memória feliz, algo que fique gravado para sempre na minha mente depois de partires. Um bom passado…
Jéssica.

sábado, 23 de agosto de 2014

Forte será a promessa do novo dia



Leve será a pena a voar sobre o mar. Brilhante será o sol no horizonte marinho. Contínua será a promessa de lutar. E ausente, num crescente e pensativo momento, pele morena iluminada pelos raios perdido de um fim do dia, um homem vive. Fugitivo a correr, tropeçando e caindo ao longo do caminho da verdade. Estrelas a iniciarem o seu trabalho. Trabalho árduo como aquele que o homem durante anos vivera, carregando mágoas, vontades, memórias de paixão, da família longe e perto, sempre com o coração a apertar com as saudades e nunca deixando de lutar pela sua vida, pelo seu futuro e presente.
Forte será a promessa do novo dia. Dia que virá. Na rua gritará um louco. Assustando as crianças e incomodando aqueles que passavam. Gritava sobre a escuridão no mundo e sobre os planos dos espirito para os não crentes. E o Fugitivo passava, ignorando a canção do louco. Tentando deixar o seu estatuto, tentando voltar para casa sem a amargura no peito, aquela dor que consome as almas dos bons homens.
Severa será a cobrança de um mal feito, de um dia para lá do alcance das mãos de um sonhador. Melódica será a canção dos vivos. Alegre será o ondular das ondas sobre uma praia coberta no verão de todos os anos. E o Fugitivo passa. Os seus irmãos e irmãs agarram-no pelas mãos e puxam-no para dançar. Rodopiando e ignorando o louco da rua. Fora criado a erguer a cabeça quando o vento o fazia falhar um passo e cair na terra seca. Fora criado a abraçar a sua família. E no trabalho árduo de um homem a viver pelo futuro, ele perdeu-se várias vezes como todos os seus iguais. Ninguém criticará, poderão unicamente olhar para ele e dizer o que vêm.
Esperançosa será a promessa daquele dia. O dia em que todos dançam em redor da grande mesa retangular. O dia que virá. A perdição será leve na sua mente. Todos os problemas pareceram distantes quando o sorriso dos seus pais perdesse nos seus rostos enquanto as memórias ecoam ao som da voz do homem e dos seus irmãos e irmãs. É um novo dia. Quando partir, serão cartas na gaveta, fotografias em álbuns, e palavras ao vento. No mesmo vento que o levantou pelo ar, atirou para o chão e ajudou a levantar inúmeras vezes ao longo da vida.
Leve será, leve foi e brilhante nunca deixará de ser a sua mente, a sua memória, os raios de sol a embaterem na sua pele ao se pôr no horizonte marinho, lágrimas em cascada por todos os passados e presentes em contínua promessa de luta. Nunca parando. Fugitivo um dia. Irmão no novo. Na forte promessa do ausente crescendo da melodia entoada na voz rouca da sua querida mãe, perdida nas linhas da manta, voando com o cheiro a pêssegos numa casa que o viu crescer. Na manhã ele continuará, seguindo o caminho iluminado por estrelas invisíveis, escoltando os mistérios dessa mesma promessa, desse mesmo dia.

sábado, 28 de junho de 2014

Um cair do dia



Não será decerto a memória de um pôr-do-sol a última cor na minha mente. As cores vivas a bailarem num céu outrora desprovido da mais quente de todas as emoções. O beijo suave dos raios finais de um dia repleto de incidentes e mistérios. Não será decerto essa a memória cortante no meu peito, a rasgar pela pele e a libertar-se do meu corpo com uma explosão sacrificial. Ou talvez seja essa a imagem nos meus olhos escuros. A imagem de um sol para lá de um horizonte perdido, para lá de um mar escuro e das possibilidades embarcadas no navio inquebrável.
O espírito mudo, vive onde nunca outro melodramático pesadelo viveria, no país longínquo da saudade, da dolorosa paixão após ser despida das suas cores. Num perfeito mundo, a loucura deixaria a alma sossegada no seu canto, no seu para sempre paraíso. Num mundo perfeito, a pequena não cairia no buraco, a borboleta não perderia a força, o mar não bateria violentamente nos rochedos. Num mundo desprovido de dor, de maléficas populações com as suas deprimentes ações, tudo pareceria um pouco mais usual, mais quieto, porque a verdade não existira. Como poderia existir verdade se a mentira não a chamava? Se só existisse um lado do mundo, uma versão dos eventos, uma poção para todas as causas, nenhuma doença viveria, a degradação morreria, a morte não seria se não a mudança.
Esse mundo, por mais apelativo que possa soar, não passa de uma construção metal da vontade dos seres humanos quando buscam a solução para os problemas. Nem mesmo a minha memória de um pôr-do-sol carismático poderá sobrepor-se á minha busca pela perfeição. Se não buscássemos o que, maioritariamente, não conseguimos alcançar, os nossos restantes sonhos não passariam de pesadelos. É a nossa fé na vitória que nos leva a lutar pelos objetivos, por mais dementes que venham a ser, por mais mortais e por mais imperfeitos que sejam os dias. E o toque, a lâmina fria a penetrar na minha alma, aquela batalha interior que todas as malditas noites tenho com a minha alma, nada me poderia preparar para o novo dia, nada me poderia fazer desistir da loucura.
Um golpe no meu consciente, não mais louvável, deixa as minhas forças longe do recuperável num segundo. A voz dos raios de sol leva a memória para um distante passado nos confins da minha indeterminada mente. Não será decerto a memória de um pôr-do-sol a última cor na minha mente. E um sorriso seria pedir demais a um espírito para além do meu alcance. O espírito mudo, só após uma conquista, desiludido com o mundo imperfeito, atento à melodia cristalina de um vento nórdico. Louvados sejam os anjos a ligarem a pele rasgada e a untarem o bálsamo nas minhas feridas. Não será decerto a memória desse ardente pôr-do-sol a reinar a minha confusa mente. Será o fogo a reacender no futuro ilustre. Num cair do dia…

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Um anjo mortal e humano



Ao entrar no meu coração, a força é tal que este para de bater. Se sonhar em penetrar pelo mar a dentro só para poder voltar a ver-te é a solução para abater a minha amargura e o meu desconforto, assim o farei. Se sorrir quando o mundo parece vazio é o meu castigo por te ter deixado levar um pedaço de mim em troca de nada, que assim seja. Só não direi que me arrependo de te amar, de te deixar entrar e derreter o gelo nos meus ossos.
Se os meus demónios me impediam de olhar rumo ao horizonte, se eles me prendiam com correntes de aço, um segundo foi o que bastou. A realidade mudou. Até aquele magnânimo momento, num tempo e espaço apenas definido por nós, o meu poder foi elevado. O meu amor… O meu corpo imperfeito mantivesse intacto. Foi a minha mente que se despedaçou e reconstruiu. Foi o renascer. A palavra “nunca” deixou de existir.
O futuro não pode continuar sem se tornar num presente impreciso. Por isso, chorei. Se o meu coração alguma vez, no passado longínquo, sofreu tal decadência e destruição, a memória esqueceu. Não direi que me arrependo de te amar. Louvo o momento que passou. Invejo as estrelas que te observam todas as noites, privilégio jamais me concebido. Eu deixei-te entrar. Eu deixei-te partir. Eu deixei-te fugir. E agora, busco o meu lugar. Um lugar onde possa reunir a força. E no fundo da minha mente, uma questão suplica por uma companheira que a complete como tu me completavas.
Basta procurar. Correr pela floresta atrás de ti. Gritar pelo teu nome. Chamar-te e pedir-te desculpas por todos os meus defeitos. Uma pessoa não é sem os seus demónios, e os meus são as correntes de ligação com o mundo. E tu… Um anjo mortal e humano, és o que me abriu os olhos para as inúmeras cores a iluminarem o caminho. O sonho inesperado. Sonho que nunca sonhei sonhar. “Nunca” que fizeste desaparecer.
Nada… Tudo… A verdade sobre a minha pele. O calor em constante erupção nos meus olhos negros. Se ao menos tu soubesses… Se soubesses que o meu coração não seguirá em frente enquanto te tiver marcado nele. Enquanto os meus suspiros forem por ti e os meus lábios sussurrarem o teu nome todas as noites e todas as manhãs. Se ao menos soubesses que partiria em plena maré alta, tentando, lutando por alcançar a tua terra, a terra para onde partiste. Se eu soubesse o quanto custaria não lutar…
Nas sombras reinam os pesadelos, os desejos sedutores das almas apaixonadas, os demónios de um outro dia. Perigos a evitar. Perigos a chamarem. Com lágrimas as escorrerem, eu caminho. O quanto caminhar custa, sabendo a verdade sobre a minha realidade pálida e vazia. Uma realidade sem ti. Uma realidade a pedir para ser alterada. Ou será o meu coração a pedir? Os beijos perdidos numa possibilidade nunca antes atingida. Nunca… Palavra que eu sonhara ter eliminado com os teus olhos. Olhos a atormentarem os meus sonhos, os meus pensamentos, as minhas memórias. Se os pesadelos são o meu castigo por ter desistido, assim seja.
Não direi “adeus”. Ainda não sou capaz desse passo no sofrimento. Lutar… Eu queria tanto lutar. A questão mantém firme na sua condição. O passado fica no passado, o presente absorve o futuro. No final, apenas água e sangue restam para manchar a vida e correr pelo meu corpo. Talvez… Não! Seguir em frente. Agarrar-te e rodear os meus braços em volta do teu corpo. Sim… Esse é o único desejo ao qual eu cederia. Poder ter-te ao meu lado. Mais uma vez… Uma mortal eternidade. Eu e tu. O meu sofrimento… O meu amor… O meu anjo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A Rua Sem Saída

Para a Mariana. A minha segunda irmã, a minha cupcake baker. Love you. Be happy.
(Batman lover forever) *-*


Um ruído vindo de uma rua sem saída ecoou pelos paralelos e paredes das casas que formavam a escuridão naquele lugar. Não muito longe dali, uma melodia constante, pingo atrás de pingo, gotas de água a caírem numa poça. Esse som repetia-se pela ruela. Ping… Ping… Ping… Um som a combater pela atenção dos monótonos homens de negócios, que por ali passavam, com os seus fatos lisos, enfadonhos e desprovidos de personalidade. O ruido na rua sem saída era mais forte.
O que quer que fosse, que arrepiava o meu corpo com os gritos de desespero e agonia, tinha a voz mais aguda alguma vez ouvida. Nem parecia ouvir. Como se o som fosse inaudível. Porque não fazia ele o mesmo comigo? Ou porque não derretia ele os ossos dos que passavam na rua principal? Alucinação… Loucura… Nenhuma outra explicação.
Queria fechar os olhos e correr para longe dali. Queria virar os pés e partir. Obrigar o meu corpo a não ceder à tentação de avançar. Ping… Ping… Ping… Grito abafado. O vento embateu no meu corpo. Trazia o leve cheiro salgado. Sangue e suor… Inclinei-me para a frente e fechei finalmente os olhos. Respirei fundo e esperei. Não sei pelo que. Mas esperei…
Abri os olhos. As sombras menos escuras, no fim da rua sem saída, lutavam. Alguém lutava. Andei… Andei com curiosidade e não com coragem. Fui descuidada. Não devia ter andado. Fui de encontrão com um homem de negócios. Ele ralhou. Chamou-me nomes e nem sequer esperou pelo meu pedido de desculpas ou para me ajudar a sair do chão lamacento. Humilhação não se comparou ao som contínuo vindo da minha direita.
Levantei-me, caminhei e caminhei. Senti lágrimas a escorrerem pela minha face. Cheguei ao fim da rua sem saída. Os gritos pararam. Nenhum som ecoava sem ser o das gotas de água ao juntarem-se à poça. A lua escapou pelas nuvens. Lágrimas caíram. Tanta destruição. Tanta dor. Miserável e descontrolado som… Agora compreendia. Agora sabia… Nada mais do que a verdade.
Um respirar tocou-me de leve no pescoço. Recusei-me a virar e ver quem era. Tinha medo. Tanto medo… E no fim, quando eu pensava que nada mais podia partir o meu corpo, a minha alma, tudo o que fazia de mim aquilo que era, o respirar parou. A sombra levou a sombra. E eu desabei no chão húmido da rua sem saída. Olhos fechados… Dor, miséria, medo… Alivio. Vira o mal, vira o bem resgatar as sombras e leva-las para a lua. Não seria tão descuidada.
Não seria um… O que foi que vira? Não me lembro. Um sonho… Um fim…